EXPOSIÇÃO
A exposição Gestos de Abundância desdobrou-se por várias estações da
ilha, criando um percurso expandido onde se cruzaram temas, práticas e vozes. Novas comissões foram
apresentadas lado a lado com obras de outros artistas e coleções açorianas, tecendo constelações que
ligaram diferentes tempos e visões. Cada estação tornou-se um ponto de contacto, abrindo caminhos para
explorar os temas da Bienal: o mar como arquivo vivo e político; a terra como corpo relacional e
vibrátil; o gesto pedagógico como prática insurgente; o cuidado, a oralidade e a resistência como
saberes incorporados; o invisível como linguagem poética e espiritual; o corpo como lugar de escuta e
inscrição.
PROJETOS
Para além das estações da exposição, o programa estendeu-se a projetos
que aconteceram em mercados, estufas, praças, portos e bairros, assim como através de oficinas e ações
de formação. Estas iniciativas colocaram a arte em diálogo direto com a vida quotidiana e a comunidade,
afirmando a Bienal como uma plataforma viva onde o conhecimento circulou e se partilhou. Em conjunto,
formaram uma constelação expandida de práticas onde pedagogia, comensalidade, ecologia e imaginação
coletiva se tornaram centrais para a experiência.
PERFORMANCE & MÚSICA
Este programa reuniu novas comissões e co-produções da Bienal, bem como
outros projetos no campo da música, do som e da performance, com curadoria de Rubén Monfort e Filipa
André. Entre eletrónica, clubbing, spoken word e explorações sonoras imersivas, o programa propôs
experiências que oscilaram entre celebração e contemplação, insurgência e ternura. Ao expandir os
espaços da Bienal, afirmou a escuta como prática de encontro e criação coletiva.
SINTONIZAR – PROGRAMAS PÚBLICOS
O SINTONIZAR ofereceu diversas iniciativas — excursões, visitas,
oficinas, assembleias, entre outras — que convidaram à prática de Gestos de Abundância e a uma
(re)aproximação à ilha de São Miguel com curiosidade. Ao longo de toda a Bienal e a partir dos seus
projetos artísticos e processos criativos, o programa procurou SINTONIZAR com lugares, vivências,
artistas, participantes, saberes e habitantes de qualquer espécie para questionar a escassez presente no
discurso público e desbundar em encontros, parcerias e ações coletivas.
SIMPÓSIO
O Simpósio foi concebido como um momento de encontro entre artistas,
investigadores e pensadores cujas práticas interrogaram e expandiram as formas como vivemos, criamos e
aprendemos em conjunto. Assumindo vários formatos e localizações, o simpósio constituiu um momento de
reflexão crítica, partilha de práticas e imaginação coletiva em torno do tema Gestos de Abundância.
Reunindo vozes provenientes de múltiplas geografias e campos disciplinares, o programa convidou à
exploração de formas diversas de habitar o presente e projetar futuros possíveis. Concebido como um
espaço polifónico, situado e experimental, o simpósio articulou palestras, mesas-redondas, workshops e
sessões performativas — encontros que alimentaram o pensamento a partir da experiência e do fazer, onde
a escuta, a partilha e a convivialidade se afirmaram como motores fundamentais de conhecimento.