Enraizada na geologia eruptiva dos Açores, esta performance-instalação escuta o planeta como um corpo inquieto. A obra explora a “inquietação” como condição planetária, corporal e relacional: vibracional, tectónica e imaginativa. O solo em constante mutação sob os nossos pés ecoa um tempo em que a extração se tornou a relação dominante, mas em que o corpo-planeta resiste ao controlo, anunciando outras forças e desfechos. Desenvolvida a partir de gravações de campo, investigação colaborativa, improvisação e experimentação durante residências em São Miguel e no Faial, a peça transporta também a marca do incêndio traumático de 2025 que devastou a Serra da Estrela, incluindo a própria aldeia de Sá.
Aqui, o piano deixa de ser um instrumento de produção sonora para se tornar um instrumento de captação — uma pele sintonizada com movimentos geológicos subterrâneos, um lugar onde forças invisíveis convergem. Esta é a primeira fase de um projeto mais amplo que continuará após a Bienal em outras residências e palcos, incluindo o Avista Vulcão (Capelinhos, Faial), a Serralves (Porto), o gnration (Braga) e a Culturgest (Lisboa).