Momento de abertura da exposição Gestos de Abundância no Convento dos Franciscanos.
O conhecimento vive para além dos livros e das instituições. Persiste também nos corpos e nas práticas do quotidiano — na comida que partilhamos, nos gestos e nas vozes que transportam memória. Estas transmissões informais ou marginais circulam fora dos circuitos oficiais, sobrevivendo como práticas de cuidado, imaginação e memória coletiva. No Convento — outrora lugar de clausura e disciplina — abre-se agora um campo para experimentar estes modos não normativos de conhecimento. Aqui, a abundância mede-se não pela acumulação, mas pelos vínculos: o que circula entre espécies, o que se conserva e transforma com o tempo, o que resiste à domesticação, o que perdura no detalhe e na memória.
Estas práticas lembram-nos que aprender e ensinar não é apenas reproduzir gestos institucionais, mas participar em movimentos coletivos, ecológicos e imaginativos. Esta estação convida-nos a sintonizar saberes que fluem pelas margens e a reconhecer neles a possibilidade de ensaiar outras formas de viver em comum.