Nesta estação, o corpo surge como um território suspenso — uma superfície onde se inscrevem hábitos, gestos e modos de estar, mas também um lugar de projeção, silêncio e escuta. Através da fotografia e da escultura, as obras aqui apresentadas delineiam uma cartografia relacional: imagens e formas que se entrelaçam, sugerindo conexões entre corpos, infraestruturas e paisagens dos Açores e de outros arquipélagos atlânticos. São fragmentos da mesma investigação sobre presença e impermanência, sobre como nos inscrevemos em territórios de água, pedra e luz.
Obras em exposição
José Pedro Cortes (nova comissão)
Ocean Rain (2025)
A partir de imagens recolhidas ao longo do tempo em diferentes arquipélagos atlânticos, José Pedro Cortes explora a impermanência, a imersão e a observação silenciosa. Através da fotografia, traça corpos e infraestruturas em diálogo com uma cartografia subterrânea e vulcânica, onde o registo documental se cruza com a potência poética de um olhar atento. As suas paisagens, retratos e naturezas-mortas tornam-se mapas visuais da vida contemporânea — abertos, transitórios e inacabados.
Joana Albuquerque
Grandes Podões (2024)
As esculturas fazem parte de uma série onde a artista prolonga a relação entre corpo e território. Inspiradas num duplo sentido semântico — as ferramentas de poda e a expressão micaelense usada para descrever alguém desajeitado ou inapto para determinado trabalho — as peças evocam as sombras de corpos em repouso, deitados no Pesqueiro, espraiados ao sol e à água. Observado num estado de improdutividade, o corpo-ferramenta é aqui resgatado não como instrumento de trabalho, mas como inscrição de práticas coletivas, rotineiras e terapêuticas.